Banhado

Histórias

Ao longo de suas existência, o Banhado proporcionou, a cada um de seus membros, inúmeras e raras oportunidades de malhar e ser malhado. Pra não perder o amigo, muito menos a piada, a gente conta algumas destas histórias, com a devida dose de exagero.

Os castelinhers

Matheus Roetger Madeira, Meados de 1998.

Era a minha primeira semana no Colégio Dehon. Eu ainda morava em São Ludgero, e começava a conviver com a rotina tubaronense. Naturalmente, ninguém era mais desenturmado que eu naquela sala, já que eu não conhecia rigorosamente nenhum morador daquela cidade. E assim foi minha primeira semana em Tubarão. Do Dehon para a ponto de ônibus, do ponto de ônibus para o Dehon, porque se eu tentasse fazer alguma coisa diferente, corria o risco de me perder entre o colégio e a Unisul.

E foi nesta inocente ignorância sobre os mais comuns conhecimentos tubaronenses que eu cometi a primeira da série interminável de gafes que marcariam aquele 1998. Explica-se: para todo os freqüentadores da noite tubaronense, Castelinho é o mais folclórico puteiro da cidade, onde nasceram algumas histórias reais e várias lendas sobre conhecidos de todo mundo; para mim, Castelinho não passava de uma bela churrascaria instalada na entrada de Braço do Norte.

Pois bem. E no sábado seguinte a esta primeira semana de aula, eu fui justamente almoçar no Castelinho – o de Braço do Norte, é evidente. Na mesa ao lado, uma colega de classe do Dehon. Que bela coincidência! Fui até lá conversar com ela. Descobri que se chamava Nicole, que morava em Gravatal e que também era freqüentadora daquele Castelinho – além de outras coisas que não vêm ao caso no momento. Lá nasceu uma rápida amizade.

E veio a segunda-feira, e eu voltei a encontrar a Nicole, desta vez na sala de aula. Acho que o fato de aquele tímido moleque da primeira semana estar mantendo conversas freqüentes com uma moça chamou a atenção dos meus colegas, que quiseram saber de onde eu conhecia a Nicole. E eu, com a solicitude de quem precisava se enturmar a qualquer custo, respondi, com a maior naturalidade do mundo, respondi: “Do Castelinho”. Não me lembro exatamente como, mas ainda deixei bem claro que tanto eu quanto ela éramos freqüentadores contumazes daquele lugar.

Eu imagino a perplexidade contida de quem ouvia aquilo. Imaginem aquele moleque de 15 anos se dizendo figurinha carimbada (e notem que esta expressão não foi escolhida a toa) do que eles imaginavam ser um puteiro, elogiando até o atendimento! Bom, esse mundo tem cada louco mesmo... Eu devo ter formado em algumas cabeças a imagem da figura mais bizarra do colégio.

Bom, o que me conforma é saber que naqueles instantes, a reputação da Nicole devia estar bem pior que a minha. E assim ficou até que tudo fosse, enfim, esclarecido.

Veja o arquivo completo de histórias do Banhado.

Banhado 10 anos | 1998-2008

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Oktoberfest 2008

18/10/2008

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