Ao longo de suas existência, o Banhado proporcionou, a cada um de seus membros, inúmeras e raras oportunidades de malhar e ser malhado. Pra não perder o amigo, muito menos a piada, a gente conta algumas destas histórias, com a devida dose de exagero.
Fernando Barata, o Kurten, Final de 2001.
Alguma coisa estava errada com aquele fim de semana. Primeiro, os banhadenses Pig e Barata foram impedidos de viajar na sexta-feira para o Camacho; depois, a abertura de verão foi sumariamente cancelada, sem mais nem menos; a casa de Barata estaria ocupada; enfim, tinha algo no ar que era estranho e ao mesmo tempo familiar aos banhadenses, mas que só ficamos sabendo mais tarde.
Era ele.
Quando Fred chegou, alegria geral. Ele trouxe seu primo Nereu e o Showman Matos, além do seu inseparável amigo Curaçao. Azulzinho, tão bonitinho e tão inofensivo à primeira vista. Parecia um refrigerante novo. E acompanhado de Sprite, ninguém seria capaz de imaginar o estrago que ele faria no estômago daquele que o idolatrara até então. Mas eu me pergunto: Será que era só a bebida? Havia algum outro elemento?
Havia sim. Era ele.
Fred simplesmente achou que era um novo superman, talvez quisesse ser como ele. Isso explica porque comprara logo a tal bebida azul. Também é compreensível porque ele tomou uma mistura azul de dois litros praticamente sozinho. Mas, o que deveria ser o combustível para Fred conseguir uma vulva pingante, o que deveria impulsionar sua já maligna mente ao objetivo somadorzístico, havia se tornado contra o feiticeiro. Mr. Herby Potter, ou Mr. Blue, de repente começou a perder o senso de direção e, conseqüentemente, o eqüilíbrio.
Ao levar um fora de uma garota, Fred sugeriu à Barata que fossem até a casa pegar o carro para dar uma volta no Farol. E foi aí que notamos o real estado do nosso companheiro. Nereu e Barata viram Fred se espatifar no chão do nada, sem pedras nem buracos, nem tropeções, nem mesmo a mão ele conseguiu esticar. Caiu de cara mesmo. Na hora achei que ele estava mal. Como pude não perceber?
Era ele.
Fred, após o tombo que levou, entregou a chave do carro à Barata, e voltaram ao Papos & Tragos. Na saída, o Potter começou a falhar, e começaram os esforços para fazê-lo pegar. Sucessivos empurrões e nada. Fred havia desligado a chave elétrica e ninguém sabia onde ela estava. Enquanto esperava que ligassem o carro, Mr. Blue se encostou em um muro, e depois sentou-se nele. Finalmente, quando o carro pegou, Matos foi chama-lo e no muro onde ele se sentou havia apenas...o muro. O que aconteceu? Fred caiu? Sim e não. Sim, ele caiu mesmo. Não, ele não caiu.
Era ele novamente.
No caminho para o Farol, o Couraçal de Fred iniciou seu pior efeito colateral: a escalada faringe-laringe-traqueial estava prestes a ocorrer, e nosso companheiro, coitado, não conseguia pôr nada pra fora. Isso até Matos apoia-lo. Com palavras como "Imagina a Débora te beijando", Fred conseguiu colocar uma parte do estranho líquido azul e de seu estômago para fora. Foram seis tentativas, algumas bem sucedidas, outras nem tanto. É, foi uma longa viagem essa ida até o Farol, e lá estava um deserto, dava pra escutar o cri-cri dos grilos. Culpa nossa?
Que nada! Era ele.
Chegando em casa, Fred estava cansado. Cansado de tanto cair no chão, cansado de tanto vomitar, cansado de falar palavrão. É, seu estado era muito crítico. Tanto que o colocamos direto num colchão e com uma bacia ao lado, para o caso de ser pego novamente pelo tal "Curaçao". E, estranhamente, depois de ter vomitado até as tripas, a bacia estava cheia pela manha. Foi o Fred?
Não, fora ele outra vez. Fred nunca mais irá esquecer a fúria de Chupelviss. Bem que ele tentou nos prevenir que agiria. Seus avisos foram ignorados. Da próxima vez... melhor, não haverá próxima vez. Nem próximo Curaçao. Né, Mr. Blue?
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