Banhado

Histórias

Ao longo de suas existência, o Banhado proporcionou, a cada um de seus membros, inúmeras e raras oportunidades de malhar e ser malhado. Pra não perder o amigo, muito menos a piada, a gente conta algumas destas histórias, com a devida dose de exagero.

II Festival Nacional de Música - Um Sonho Realizado

Fabiano Treméa Vargas, Janeiro de 2002.

É certo dizer que cada um possui seu gosto musical e que, por pior que seja, este gosto deve ser respeitado. Porém, é certo também reconhecer que para aqueles que gostam de axé, pagode, funck ou coisas assim, basta ligar a TV ou o rádio a qualquer hora, em qualquer lugar (canal ou estação) para curtir suas preferências. Shows e eventos desses gêneros musicais também são muito comuns, em qualquer “Festa do Camarão” tem. Da mesma forma a música romântica, o forró, o setanejo e ultimamente até o rock (ou poprock) também podem ser encontrados na mídia com a mesma facilidade. Até mesmo o samba-enredo, do qual alguns adeptos reclamam a falta de espaço dado pela mídia a este, está sim, sempre na TV, durante dois ou três dias por ano, é verdade, mas está. Pois bem, mas um festival de Punk e Hard Core não é todo dia e nem em todo lugar MESMO. Aos adeptos desse som, restava apenas a internet e o santo MP3 para poder desfrutar de suas preferências. E é por isso que chamo este artigo de “um sonho realizado”, exatamente por que a próxima oportunidade de assistirmos a um show reunindo várias das melhores bandas de Punk e Hard Core não vai ser amanhã, na semana que vem, no mês que vem ou na próxima vez em que ligarmos a TV ou o rádio. Não. Estas são oportunidades únicas, são, para nós, sonhos que, felizmente, e graças ao bom Deus, realizamos neste fim de semana que passou.

Foi mais ou menos assim:

Os preparativos para o 2º Festival Nacional da Música, em Baneáro Camburiú, começaram muito antes do dia 19, data marcada para o evento. Na verdade, Matos e Pig já tomara conhecimento deste, desde o ano passado. Guiba e Barata, após saberem da realização do mesmo, não hesitaram em comparecer também.

A véspera do evento foi marcada – como não poderia deixar de ser – pela aquisição dos alcoólicos que abasteceriam a viagem. E foram Pig, Matos e Guiba, rumo ao Giassi (a tá, tava o Tetê também). Algumas garrafas de conhaque (DREHER) outras de guaraná (ANTÁRCTICA), 51 e limões. Matos disponibilizaria uma espaçosa caixa térmica onde seriam guardados os conhaques e guiba se encarregaria de armazenar alguns litros de Caipirinha – que este se comprometera a deixar pré-pronta – em uma garrafa térmica, daquelas de guardar chá ou café. Tudo transcorria dentro da normalidade, era só esperar na manhã seguinte, o esperado embarque.

E aquela manhã do dia 19 já começara ilária, com Guiba que, ao levantar-se para preperar a tal Caipirosa, fora surpreendido por sua mãe, que aos gritos de “alcoólatra” e “bêbedo vagabundo” impediu o pobre garoto de transportar a bebida. Tudo bem, estávamos desfalcados de uma Caipira, mas ainda tiínhamos os conhaques e as outras bebidas dos colegas de Topic (que não era Topic, era uma Springer), inclusive um Cepacol alcoólico. E assim seguimos viagem.

A viagem trancorreu muito bem. Muito alcoól, muitos garotos bêbados falando besteira, muita sonzera na orelha, muitas paradas para urinar, muitos Baratas sendo assediados por Vulvas Obesas (eram duas na Topic, para 13 machos), em fim, até o desembarque no litoral sul-catarinense. É válido acrescentar que aquela praia teria uma das mais belas paisagens de nosso litoral, não fosse os milhares e milhares de prédios construídos à beira-mar, sem qualquer preocupação com a natureza e visando, única e exclusivamente, o lucro. Ah o capitalismo...

Desembarcamos em balneário por volada das 13:10. Os portões do Armazém Bar, local do evento, só abririam as 14:30. Arrumamos as coisas, puxamos um ronco na grama, enquanto esperávamos Chapola, nosso guia, chegar com os ingressos.

O portão se abrira as 14:30, porém, todos eram obrigados a passar por uma rigorozíssima revista e, por esta razão, a fila ia se acumulandoe só adentramos de fato no recinto lá pelas 15:30.

No interior do bar, tudo era perfeito. O visual era sujestivo, as mulheres(pasmem) eram gostosas, as bandas eram muito boas e, num comparativo com o Diesel, por exemplo, quando queríamos sair para tomar um ar, não dávamos de cara com a Praça 7, mas sim com a praia que, apesar de poluída pelos prédios, é sempre praia. Mas, como nada é perfeito, vale destacar os preços, tanto das bebidas quanto das refeições. Dentro do bar, por exemplo, uma LATA de cerveja custava nada menos de R$2,50, e a água ou refri R$1,50.

O show em si, dispensa comentários. De peculiaridades apenas um pobre jovem que vomitava os ógãos internos à beira-mar, a presença de garotinha de 6 ou 7 anos de idade, quando na portaria existia uma placa com os dizeres “proibida a entrada de menores de 16 anos”.

A maioria das bandas que se apresentaram eram meras alcaparras, pelo menos para mim. Obviamente o que me motivou a ir neste festival foi o Dead Fish. Porém, gratas surpresas foram A-OK e CAPHOFO. Em contrapartida, a banda Rived, literalmente “encheu o saco” da galera, com um show eterno, um guitarrista que parecia o Popó, um vocalista um tanto quanto homosexual que se achava um superstar, e o som, um Hard Core melódico e chato.

Ah sim, mais peculiaridades: o nosso amigo Guiba, aquele mesmo que derrubara o mostro Matos, fora humilhado e levado ao chão por uma das mais meigas garotinhas que se encontravam no local, ao tentar enfrentá-la. Aliás, diga-se de passagem, aquela que já era chamada (por mim e pelo Matos) de “o sonho de guria” derrubara muito marmanjo nas rodas punks.

Passado as bandas menores, e o interminável show do Rived, eis que em fim chega a hora da apresentação do CPM22. Depois viria o Dead Fish.

Apesar de um pouco pop demais e apesar do vocalista tentar incansávelmente imitar o Chorão, o CPM22 faz um som legal, e não foi diferente no festival. Animou a galera, porém, suas músicas jã são quase “hitz do pop nacional”, haja vista “Regina lets’go”. Ao fim do show, quando a galera já gritava “saidera, saidera!” e “Dead Fish, Dead Fish!” (gritos, aliás, puxados pelo Matos. Hua hua hua, qual é a surpresa?) o vocalista se despediu dizendo “ainda somos os mesmos”, será?

O intervalo entre o CPM22 e o Dead Fish foi eterno e a galera, impaciente, ao ver o guitarrista do CPM22 no palco ajudando na instalação da aparelhagem do Dead Fish, não perdeu a oportunidade de cornetear. Os punks mais revoltados, os PNCs e aqueles que só queriam zuar mesmo (inclusaive nós) faziam o coro de “viado, viado”, “CPM pop” e “KLB22”, o que provocou a ira do tal guitarrista, que chamou todo mundo para briga, jurando todos de morte.

Em fim, CPM22 é meio pop, mas é masserinha. No entanto, nada, mas absolutamente nada mesmo, comparado com o Dead Fish. O show deles é coisa de outro mundo e alucinou, na verdadeira consepção da palavra, a galera. Já na terceira ou quarta música, o semblante da maioria das pessoas presentes era de “a beira de um ataque cardíaco”. Destaque especial para a música “Fragmentos de um Conflito Iminente” Uaaaaa!!! Um grupo de puks-malucos (incuindo barata) subia no palco, se jogava em cima da galera, e era jogada para cima, caia de cabeça e uuaaa, enlouquecendo os seguranças. Infelizmente, o show do Dead Fish acabou mais cedo porque um pedaço da bateria quebrou, e talvez isso tenhe salvado algumas vidas.

Terminado o show (por volta das 3:30), todos desidratados e com os pulmões completamente comprometidos, fomos embora. A viagem de volta foi tranquila, afinal, todos durmiram como bebês. Todos, menos a mãe do Barata, que fora acordada pelo filho, primeiro com este pedindo para ela ir buscá-lo, depois, com este cancelando o mesmo resgate.

Já no aconchego de seus lares todos, tenho certeza, curtiam seus ematomas com alegria, com a convicção de terem realizado um sonho.

Veja o arquivo completo de histórias do Banhado.

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