Ao longo de suas existência, o Banhado proporcionou, a cada um de seus membros, inúmeras e raras oportunidades de malhar e ser malhado. Pra não perder o amigo, muito menos a piada, a gente conta algumas destas histórias, com a devida dose de exagero.
Matheus Roetger Madeira, Meados de 2000.
As Copas do Banhado mereceriam uma página própria para contar suas histórias. Melhor, mereceriam um livro. Cada uma com suas peculiaridades, com suas características que as diferem de qualquer outro torneio que se tenha notícia Mundo afora.
Para os mais desavisados, a Copa do Banhado é um torneio de futebol de duplas, disputado na residência do banhadense Gustavo Zimmerman, aonde se localiza o Estádio Monumental de Gustês. É organizada da seguinte maneira: quando alguém sente vontade, pega o telefone e sai ligando para os sócios da instituição, a fim de conseguir um número razoável de participantes. O ideal é que 8 pessoas participem, formando quatro agremiações, que jogam em turno e returno. Mas a organização do evento não vem ao caso. O folclore banhadense é imortal, diferentemente de qualquer erro de elaboração de tabelas e eventos. E é a expor este folclore, ou uma pequena amostra dele – base da cultura banhadense – que este artigo se propõe.
Em uma destas Copas, por volta do mês de junho de 2001, os 8 integrantes pretendidos foram reunidos e a Copa se iniciou. Gustê, como não poderia deixar de ser, participava da competição. Enquanto assistia a uma das partidas de seus oponentes, o atleta foi à cozinha, beber um copo d’água. Parece normal, não é? Pois bem, ele também voltou normalmente, andando normalmente, bebendo água normalmente e, quando se preparava para, normalmente, se sentar ao lado da quadra, começaram as anormalidades normais de nosso colega. No instante em que se daria o pontapé inicial para mais uma contenda, o anfitrião resolve atirar um tijolo por sobre o debilitado alambrado do estádio, que, normalmente, se espatifa no meio da quadra, impedindo o prosseguimento da competição. A perplexidade toma conta dos banhadenses presentes e os risos são, depois de certo tempo, substituídos pela dúvida do porque de tal atitude de nosso colega. A explicação é dada da seguinte maneira:
- É, gente, nem tudo tem uma explicação – explicou Gustê, enquanto apontava, aos atletas que participariam da partida, onde estava a vassoura necessária para limpar a quadra e reiniciar a competição.
Gustavo conseguiu, através de um simples tijolo e um chão de cimento, passar um precioso ensinamento de vida: não podemos querer entender tudo que nos cerca. O mundo é muito mais complexo do que imaginamos, e a massa encefálica de nosso colega anfitrião de Copas do Banhado é ainda mais imprevisível. Devemos nos preparar para tudo. Os tijolos que estavam em volta do Monumental de Gustês já foram retirados.
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