Ao longo de suas existência, o Banhado proporcionou, a cada um de seus membros, inúmeras e raras oportunidades de malhar e ser malhado. Pra não perder o amigo, muito menos a piada, a gente conta algumas destas histórias, com a devida dose de exagero.
Raul Esteves Delpizzo, Final de 2001.
Uma coisa me marcou muito numa de nossas viagens para o paraíso cervejeiro do camacho: A vontade de superar um obstáculo. Nunca se pode mudar a natureza, já dizia Zeca Pagodinho, mas o homem pode e deve ser mudado. Numa história interessante, os quatro garotos vindos de Tubarão agora estavam sem nada pra fazer na praia deserta. Olhar para a cara do outro já virava rotina. Mas não mais a partir do momento que chega o colega de barata para dar um ânimo a todos. Ô domingo chatinho. A chuvinha já estava incomodando e o Grêmio estava se apresentando bem diante do Atlético-MG lá no Mineirão. Dizia Ruy Carlos Ostermann que a vitória era questão de paciência. Estava eu mais feliz do que nunca. Mas nem todo mundo estava assim como eu e algo tinha que ser feito. Uma volta providencial de carro foi o jeito mais divertido de se passar o resto da tarde que já nos apressava pra casa. Foi quando todos decidiram que iríamos jogar uma sinuquinha. Êta esportezinho gostoso de se jogar. Ainda mais num domingo chuvoso de sucessivos fracassos no preparo do almoço e na sesta da tarde. O referido amigo de barata, o qual – perdão – não me recordo o nome, possuía um barzinho perto de casa, cuja principal atração era a mesa de sinuca, com tacos lisinhos e pano verdinho por cima da pedra a qual é feita a mesa. As bolas esperavam ansiosas por um cutucão daquele taco empoeirado com uma sujeirinha azul na ponta. Mas, o colega insistia em não ceder, afinal, era domingo e ele não queria perder o dia cuidando de um bar em vão. Os garotos não iriam durar muito ali pensava ele. Foi quando dentro do carro, na frente do estabelecimento, Matos, seguido por Raul, Pig e Barata, trancaram as portas do carro e começaram um verdadeiro show de tortura ao moleque. Ao som intermitente de Bar, Bar, Bar, Bar, as janelas foram cerradas, as portas tiveram suas travas acionadas e o auto desligado. Aquela tortura duraria por uns 15 minutos até a mãe do garoto perceber o feito e abrir o barzinho para delírio de todos. O fato notável era que todos riam enquanto faziam o som de pedido, enquanto Matos fazia com que aquilo parecesse coisa de rotina sua. Era já hábito dele pressionar ou incomodar as pessoas. Espantoso. Enfim, bar aberto, Barata e Matos entraram pra jogar uma partida apenas de sinuca, enquanto eu ficava no carro ouvindo o tormento atleticano arrasar o grêmio por 2 a 0. Meu consolo foi que o São Paulo levara 7 do Vasco e que o Inter também havia levado o seu castigo. Final de tarde Atípico no camacho.
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